Audição da Criança

1- O que é Triagem Auditiva?

Também conhecida como teste da orelhinha, a triagem auditiva neonatal é além, de muito importante, obrigatória. Normalmente é realizada na própria maternidade, e se trata de um procedimento rápido e indolor. Uma oliva (sonda) de silicone é introduzida na abertura da orelha do bebê, e por ela, percorrem uma série de sons, produzidos por um equipamento. Quando a audição é normal, as células da orelha do bebê produzem uma espécie de “eco” em resposta a esses estímulos, e estas são captadas novamente pelo equipamento. Uma perda de audição detectada precocemente influencia diretamente no desenvolvimento da linguagem da criança. Por isso, a triagem auditiva é uma grande aliada no diagnóstico das perdas congênitas de audição.

2- Quando se trata de um bebê, é possível a mãe perceber essa deficiência pelo seu comportamento?

Ao nascer, o bebê apresenta apenas a audição reflexa que percebemos muito bem quando ele pisca os olhos ou se assusta em resposta a estímulos sonoros intensos. Os sons que têm maior significado para o bebê, como, por exemplo, a voz da mãe são os mais facilmente aprendidos. E esse sentido se desenvolve ao longo do crescimento do bebê. Por isso é fundamental observar se o bebê reage a sons, e em caso contrário, é importante a avaliação médica e fonoaudiológica para descartar quaisquer alterações auditivas.

3. Existem crianças consideradas do grupo de risco, por alguma condição hereditária ou doença que a mãe pode ter tido durante a gestação?

No Brasil existem alguns critérios de alto risco para desenvolvimento de alterações auditivas, elaborados pelo Joint Commitee on Infant Hearing, em 2007, que incluem: história familiar de deficiência auditiva; toxoplasmose, sífilis, rubéola, citomegalovírus; deformidades craniofaciais; baixo peso ao nascer ou pequeno para a idade gestacional; hiperbilirrubinemia; medicações ototóxicas; meningite e APGAR entre 0 e 4 no primeiro minuto e entre 0 e 6 no quinto minuto.

8. Que problemas ocorridos durante a gravidez devem deixar a mãe em estado de alerta?

A rubéola materna é uma das principais causas de deficiência auditiva, independentemente da fase da gestação. Outros fatores tais como incompatibilidade de fator Rh, distúrbios metabólicos, radiação, prematuridade, toxoplasmose, trauma de parto e falta de oxigênio ao nascer podem, também, ser agentes causadores de deficiência auditiva associada a alterações de desenvolvimento e a distúrbios neurológicos. Portanto, o acompanhamento médico por meio de um bom pré-natal e principalmente seguir as orientações médicas como, por exemplo, não tomar remédios sem prescrição, evitar radiografias, é fundamental.

4. Quais os sinais de alerta para que a mãe possa desconfiar que seu filho tenha alguma deficiência auditiva? A partir de quanto tempo de vida pode-se fazer algum diagnóstico?

De uma forma geral, é o atraso no desenvolvimento da fala, que leva a mãe a procurar a ajuda de um especialista. Porém a falta de estimulação nos primeiros anos de vida ocasiona perda importante de informações auditivas e de estimulação de vias auditivas que dificilmente se recuperam. Hoje em dia, como já comentado, existe a TANU que é um instrumento muito importante no diagnóstico precoce das perdas auditivas. Portanto, já ao nascimento, é possível diagnosticar alterações auditivas, por meio de um conjunto de procedimentos e da avaliação de uma equipe multidisciplinar.

5- A detecção precoce de distúrbios auditivos facilita o tratamento ou possibilita a criança se adaptar melhor aos aparelhos auditivos?

Sem dúvidas o diagnóstico e intervenção precoce são fundamentais no prognóstico de muitos distúrbios auditivos. Em alguns casos, quando a perda auditiva não é passível de tratamento médico, quanto mais cedo forem diagnosticadas, maiores serão as chances de sucesso na adaptação aparelhos de amplificação sonora e do emprego de métodos de treinamento apropriados, que permitam o desenvolvimento pleno de suas capacidades de comunicação principalmente quando se tratar de perdas auditivas severas a profundas.